Lançamento Dossiê ABRASCO Agrotóxicos

No dia 27 de Outubro de 2015 foi lançado o Dossiê ABRASCO – Agrotóxicos em Porto Alegre, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O lançamento ocorreu durante a 3º Jornada de Estudos Rurais e Saúde, que reuniu pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação de diferentes áreas do conhecimento e instituições, representantes do MST, AGAPAN, FETAG-RS, EMATER-RS, Frente Parlamentar Gaúcha Em defesa da Alimentação Saudável e Agricultura Familiar, OBTEIA-UNB, profissionais da saúde, da educação no campo, da nutrição, dentre outros, configurando um debate interdisciplinar, intersetorial e interprofissional, tal qual exige a abordagem do tema.

O Dossiê ABRASCO, um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde,  é um documento que reúne de forma pedagógica e criativa, a produção de um coletivo de pesquisadores engajados com a ciência crítica e comprometida com as transformações estruturais da sociedade.

André Burigo, um dos organizadores do Dossiê, iniciou o lançamento fazendo uma apresentação do documento, inspirando os presentes a consultarem, não somente o Dossiê, mas também os painéis expostos, que sintetizam os quatro grande temas que compõem o dossiê: 1) Segurança alimentar e nutricional e saúde; 2) Saúde, ambiente e sustentabilidade; 3) Conhecimento científico e popular: construindo a ecologia de saberes e 4) A crise do paradigma do agronegócio e as lutas pela agroecologia. André expôs rapidamente o objetivo do Dossiê de “registrar e difundir a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no país e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública” e de “expressar o compromisso da Abrasco com a saúde da população, no contexto de reprimarização da economia, da expansão das fronteiras agrícolas para a exportação de commodities, da afirmação do modelo da modernização agrícola conservadora e da monocultura químico-dependente”.

Na sequencia Leonardo Melgarejo enfatizou que “o tema dos agrotóxicos e das lavouras transgênicas se revela a tal ponto contaminado por interesses econômicos que, apesar do acúmulo de evidencias científicas apontando impactos negativos sobre  a saúde e segurança alimentar da população, a potencialidade produtiva dos biomas, e a soberania nacional, continua sendo tratado como algo do interesse de nossa sociedade”. Melgarejo ainda abordou diversos mitos difundidos pela sociedade, muitos dos quais enaltecem a maior produtividade de lavouras modificadas geneticamente, desprezando o fato de que estas modificações não contribuem para ganhos neste sentido. “A mitologia ainda inclui outros aspectos, cuja desmistificação exige contato com informações independentes oriundas de atores não capturados por interesses econômicos  das transnacionais de sementes e agroquímicos. Para contribuir ainda com a possibilidade de acesso a informações de interesse público, seguem os links dos documentos produzidos pela ABRASCO (Dossiê ABRASCO), pelo CONSEA, e pelo GEA-NEAD/MDA, que podem ser obtidos gratuitamente através dos endereços referenciados.

Por fim, Leonildo Zang, agricultor agroecológico, do Assentamento Filhos de Sepé (Viamão/RS) brindou o evento com sua história de luta junto ao MST para garantir lavouras de arroz orgânicas. Zang relatou o sistema de produção e distribuição do arroz orgânico cultivado nas propriedades, que têm como Reserva Legal o Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, Unidade de Conservação (UC) onde a ONG atua. Sendo um dos precursores do cultivo do arroz sem o uso de agrotóxicos no Assentamento, iniciado há mais de dez anos, Zang relatou que produção de arroz orgânico é realidade em todo Assentamento, desde 2009, devido a uma determinação judicial, mas é defendida por um grupo que aposta na agroecologia desde a formação do Assentamento em 1998. Zang, originário de Iraí (município do norte do estado) veio para produzir no Assentamento (localizado na região metropolitana de Porto Alegre), que reúne mais de 300 famílias. “Tivemos que trabalhar muito para desenvolver e aperfeiçoar técnicas que não agridam a terra, hoje é um espetáculo ver a beleza da plantação”, relata Zang. Com facilidade de escoamento da produção para Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), os assentados também estão iniciando investimentos no cultivo de frutas e na preparação de produtos de padaria para distribuição nas escolas municipais e estaduais da região.

Motivados pela magnitude do problema do uso dos agrotóxicos no Estado do Rio Grande do Sul (com uma das maiores intensidade de monoculturas de soja, milho, cana, cítricos, algodão e arroz, o Estado é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos em 2006, representando 10,8% do total do Brasil, segundo o IBGE (2006), o Sindag (2011) e Theisen (2010) – Dossiê ABRASCO, p. 53-54), os presentes no lançamento fortaleceram parceria interinstitucional entre a UFRGS, AGAPAN, ABA, EVSAT / CGVS / SMS-POA, por meio da criação de um GT de discussão permanente e ação sobre o tema, que em breve deverá ser formalizado.

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