Teko Porã significa ‘Bem Viver’ em guarani, e representa uma cosmo- visão ancestral que prima pela realização plena da vida no planeta em muitas culturas originárias. Através do “Bem Viver” se reconhece a importância da interação e interdependência entre o ser humano, a natureza e o cosmos.

Esta concepção favorece uma relação contemplativa/integrativa/ ativa com o mundo ante a voracidade incessante de crescimento e desenvolvimento econômico, científico e tecnológico que exaure as pessoas, os seres e o planeta.

O Programa Teko Porã propõe o repensar da relação que as pessoas mantém consigo mesmas, com os outros, com a natureza e o cosmos, atuando desde o campo do cuidado em saúde. Adotando uma concepção ampliada de saúde, foca práticas integrativas e complementares de cuidado (PIC) e práticas populares de saúde desenvolvidas por diversos povos ao redor do mundo.

Como ethos, o cuidado não se pauta apenas por uma base racional, mas também representa a fonte de amorosidade, responsabilidade, solidariedade, cooperação, criatividade, sustentabilidade e integração (BOFF, 2003). Associado a concepções ampliadas de saúde, o cuidado integral perpassa diversas dimensões do humano, tais como: a biológica, a psicológica, a social, a espirituale outras.

Essa perspectiva possibilita o florescimento de um processo de “circularidade do cuidado”, onde o cuidado de si favorece um melhor cuidado do outro e o cuidado do mundo. Como bem imaterial que circula socialmente, o cuidado pode ser interpretado como uma “dádiva”, conforme compreendido por Marcel Mauss, ou seja, como um sistema de reciprocidades de caráter interpessoal que desestabiliza a primazia do Estado e do mercado como detentores e moduladores da maior parte das relações sociais (MARTINS, 2006).

Todas as atividades desenvolvidas são importantes elementos para o fortalecimento da autoestima e cidadania dos participantes e estudantes envolvidos, além de promover vínculos afetivos, institucionais e instigar a reflexão permanente sobre o direito à cidade, aos serviços de saúde, educação e cultura. As vivências propiciadas pelo encontro com a arte, a ecologia e as práticas integrativas ampliam o campo da promoção da saúde e possuem inegável potencial terapêutico e educativo, possibilitando a ressignificação do espaço, tempo, ambiente e cuidado, incorporando o saber popular, o contato com diversos modos de estar no mudo e a experiência da alteridade de maneira dialógica.

PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES

As Práticas Integrativas ocorrem em parceria com serviços de saúde do SUS, em grupo de meditação na Unidade Básica de Saúde Santa Cecília, cursos de Reiki com o Grupo Hospitalar Conceição e Rodas Itinerantes onde são apresentadas diversas práticas na interface com a educação popular em saúde.

Todas as atividades do Programa Teko Porã são gratuitas e abertas à comunidade. O projeto conta com a parceria interinstitucional do Chalé da Cultura do Grupo Hospitalar Conceição e está conectado com outras iniciativas afins dentro e fora da Universidade, visando estimular e ampliar a formação de uma rede de articulação de políticas, serviços e práticas integrativas de cuidado para a população. Desse modo a expectativa é de contribuir para um Bem Viver para todos.

Grupo de Meditação: quartas-feiras, das 17h às 18h Local: UBS Santa Cecília – Sala de Reuniões Rua São Manoel, 543 – Santa Cecilia, Porto Alegre

ATIVAÇÃO DA REDE INTERSETORIAL DE CUIDADOS E PROMOÇÃO EM SAÚDE À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

A Rede Intersetorial de Cuidados e Promoção em Saúde à População em Situação de Rua tem se debruçado sobre a questão da mulher neste contexto, mais especificamente, das gestantes, por representarem um segmento extremamente vulnerável e invisibilizado nas políticas públicas em geral. Esta ação articula múltiplas parcerias, em especial o Fórum Inter Ruas de Porto Alegre, visando o fortalecimento da rede intersetorial de cuidados e garantia de direitos.

A partir da sensibilização e reconhecimento dos atores envolvidos – educadores sociais, técnicos e trabalhadores do SUS e SUAS, além da comunidade acadêmica – foi estruturado o GT Mulheres em Situação de Rua de Porto Alegre, afim de criar uma agenda de encontros, estudos e ações que visem qualificar o cuidado e acompanhar o itinerário desta população no exercício de sua cidadania e direitos fundamentais. Destes encontros, foi levantada a necessidade de identificação das expectativas e demandas das mulheres em situação de rua.

As atividades deste projeto objetivam identificar as barreiras de acesso aos serviços especializados, a mediação para o enfrentamento à violência institucional, o acolhimento com classificação de risco e fluxos recomendados, a construção do cuidado culturalmente adequado e sensível às necessidades desta população mediante a escuta e participação social, minimizando assim as limitações da condição de vulnerabilidade e efetivação de direitos previstos.

HORTA AGROECOLÓGICA DA EPA

O projeto da Horta Comunitária da Escola Porto Alegre (EPA) trabalha em uma perspectiva agroecológica, ofertando formação teórico-vivencial na elaboração de compostagem, canteiros e produção de hortaliças e ervas medicinais. Alinha-se a uma perspectiva de discussão sobre segurança e soberania alimentar, articulando-se a outros projetos que trabalham sobre este tema na universidade.

Na horta da EPA adotou-se uma abordagem agroecológica alinhada à perspectiva de Bem Viver do Programa de Extensão Teko Porã, que se inspira em relações sintrópicas e ecofílicas com a natureza, oriundas de modos de vida ancestrais de populações originárias, associadas a perspectivas críticas latino-americanas no campo da Pedagogia, da Sociologia e da Psicologia da Libertação, visando à redução das desigualdades e à transformação social. Esse alinhamento teórico também está afinado com a proposta pedagógica da escola.

O projeto da horta tem possibilitado uma articulação interdisciplinar com estudantes e professoras da UFRGS oriundos de diversos campos, como a Agronomia, a Biologia, a Nutrição, a Enfermagem e a Saúde Coletiva. Diversas parcerias intra e interinstitucionais também têm sido ativadas junto à Agro- ecologia da UFRGS (Grupo UVAIA e Grupo Viveiros Comunitários), ao DEDS, ao IFRS Restinga, à EMATER, a grupos de vizinhos como os Voluntários da Praça Tamandaré, a Associação Sociedade Amigos do Campeche (de Florianópolis), e a Associação de Hortas Coletivas do Centro Histórico. A horta têm propiciado a integração entre pessoas em situação de rua e moradores circunvizinhos, alguns dos quais frequentam as oficinas na EPA, abertas ao público interessado além dos estudantes, o que reforça a integração, a construção de outro olhar em relação à população de rua e relações de cooperação e solidariedade.

Atividades: sextas-feiras, das 9h às 12h Local: Escola Porto Alegre Rua Washington Luis, 203 Centro Histórico

REFERÊNCIAS

BOFF, Leonardo. Ética e Moral: a busca dos fundamentos. 1.ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003.125 p

MARTINS, Paulo Henrique. A Sociologia de Marcel Mauss: dádiva, simbolismo e associação. In: MARTINS, P.H.; CAMPOS, R.C. Polifonia do Dom. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2006. p.89-16

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