INSCRIÇÕES

De 10 a 21 de Agosto de 2017 pelo link abaixo:
Formulário de Inscrições Projeto Deslocamentos

INICIO DAS ATIVIDADES

Dia 04  setembro 2017, das 16h às 18h, Escola de Enfermagem, Sala: Sala 108.

do texto para a imagem, da sala de aula para os cenários

Sebastião Salgado, imagem do Projeto Êxodos, 1999
Sebastião Salgado, imagem do Projeto Êxodos, 1999

A imagem como dispositivo para acessar as diversidades humanas e os usos do território

Inspirada no projeto fotográfico Êxodos de Sebastião Salgado, deslocamentos, palavra-chave desta atividade, propõe a produção de imagens por movimentos que não são somente geográficos, mas ético-político-epistemológicos e estéticos frente às realidades humanas, em outros territórios de aprendizagem e no diálogo com outros campos do conhecimento. Busca-se constituir um manifesto visual de obstinação pela vida, onde flagrantes de força antropológica se opõem a banalização do mal, questionam constantemente o que nos separa e o que nos une, o que nos constitui como corpo social, sobretudo a partir da atual situação, extremamente complexa e desafiadora de “sermos sociedade”.

Questões como essas não são novas, de nosso tempo e o debate sobre diversidade e pluralidade, toca no âmago de valores importantes, como a igualdade, a solidariedade, e tensiona nossas concepções de laços sociais, nossa capacidade de conviver e evidencia as formas definidas por uma sociedade de ser coletiva. Trata-se, portanto, de refletir sobre os novos desafios desta experiência, tal qual ela se desenvolve e se inscreve hoje no coração de profundas transformações da vida coletiva.

Nossas reflexões sobre as repercussões da produção do conhecimento na sociedade partem do compromisso de que não se faz ciência apenas com nossos pares na Academia, mas também, e principalmente, com a sociedade sem a qual a ciência perderia seu sentido e essência. Assim, criamos movimentos entre as formas de conhecermos e compreendermos o mundo em que vivemos e o lugar que nele ocupamos, estabelecendo pontes de ligação entre as diferentes formas de produção do conhecimento e de sua capacidade de comunicação. Reconhece-se assim a necessidade do campo da Saúde Coletiva de considerar e se apropriar da multiplicidade dos gêneros discursivos nas suas práticas de pesquisa, de produzir outros movimentos possibilitando igualmente uma melhor devolução à sociedade daquilo que a ciência produz, assim como potencializar a comunicação e visibilidade, no campo científico, das experiências dos indivíduos no que diz respeito aos diversos modos entrelaçados de pensar e de lidar com a saúde, a doença, a vida e a morte.

Essa tentativa se configura no desenvolvimento de atividades que denominamos de Ampliando Linguagens, destinado à apresentação de múltiplas práticas e reflexões teóricas em CSHS que se formulem e se expressem em outras linguagens mais artísticas e menos convencionais, propiciando um olhar mais sensível para o campo científico e acadêmico.Trata-se de delinear caminhos de transformações de um pensar agindo reflexivamente sobre vida, ciência e cultura. Outras palavras para traduzir o mundo em desalinho, as perplexidades, o chacoalhar das utopias.

Ao Ampliarmos Linguagens, provocamos também outros movimentos ético-políticos-epistemológicos: de valorização, de visibilidade e de acolhimento da diversidade na produção do conhecimento. A linguagem fotográfica utilizada por Sebastião Salgado no Projeto Êxodos é inspiradora desse movimento, não só geográfico, mas, sobretudo crítico-reflexivo, na busca de olhares sensíveis que captam a essência dos espaços de vida e que contribuem para uma escrita densa e sensível sobre os modos de “ser sociedade”.

“O projeto Êxodos consiste em registros sobre o deslocamento. O deslocamento de gentes e terras; Consigo, com as gentes, vão as suas culturas, as suas crenças. Com cada um que se desloca, vai junto o mundo. O mundo de cada um, de cada qual, que ao caminhar constrói novos arranjos, costura novas tramas e faz do espaço geográfico uma moldura para um outro espaço que se delimita não por marcas e fronteiras territoriais, mas sim pelo que cada homem e mulher grande ou pequeno, moço ou velho desenha nas marcas da sua passagem. A vida, vivida de fato, aquela para a qual acordamos todos os dias, essa não é forjada pelas marcas artificiais que o homem, em algum tempo, usou para delimitar o que é de seu. A vida é essa coisa que usamos naquilo que compartimos. Não somos feitos, estamos em processo de construção” (Da Maya, Espaço cultural, Caderno de atividades, 2014, p. 6).

A produção de imagens que propomos busca apreender

“instantes de homens e mulheres em seus deslocamentos, no lugar seu e no lugar feito seu. No movimento, no trânsito, no fluxo. Olhar para a paisagem é olhar para o que se desloca junto conosco. Para o que a retina leva consigo tão grudado, tão presente que já não se torna mais possível abandona-lo e, sim, adiciona-lo ao mundo aquele feito de nós com os outros. Fala sobre gentes e lugares. Lugares de origem e lugares transitórios. Mais do que isso, os mundos que se deslocam com as pessoas: suas histórias, suas crenças, suas culturas. As tramas que se encontram, as narrativas que surgem a partir daí” (Da Maya, Espaço cultural, Caderno de atividades, 2014, p. 6).

O que interpretamos do e sobre o Outro? Aliás, quem é o outro que a imagem tem o poder de retratar? Estas são questões disparadas para pensar as atividades, a fim de que possamos utilizar a imagem enquanto dispositivo para acessar as diversidades humanas e os usos do território, nos instigando a pensar o quanto preconceitos foram construídos e perpetrados nos olhares de quem vê a imagem que foi construída sobre o outro, compreendido como diferente. Eis aí a indicação do caminho a trilhar nessas atividades, quem vê, vê o quê? O diferente está nos olhos de quem vê a partir de quais referenciais? O que a diferença desperta? A desacomodação que gera alteridade ou a indiferença que gera preconceito?

“A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, quotidiano, e que consideramos ‘evidente’. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de ‘natural’. Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única” (LAPLANTINE, 2003, p.12-13).

OBJETIVOS DO PROJETO

O projeto deslocamentos, propõe a produção de imagens por movimentos que não são somente geográficos, mas ético-político-epistemológicos e estéticos frente às realidades humanas. Tem por objetivo introduzir o público-alvo nas bases conceituais e metodológicas do uso de imagens nas Ciências Sociais e Humanas em Saúde suas contribuições para a compreensão da produção de saúde a partir das diversidades humanas e do funcionamento social: território, cultura e alteridade. Assim, especificamente foca suas atividades no(a):

– Estudo da imagem como dispositivo para acessar as diversidades humanas e os usos do território;
– Produção de imagens, realizadas a partir de exercícios fotoetnográficos, onde flagrantes de força antropológica, darão visibilidade para instantes de situações de vida e de territórios, de homens e mulheres em seus deslocamentos, no lugar seu e no lugar feito seu;
– Produção audiovisual (vídeo etnográfico e/ou fotoetnografia) que busque apreender os itinerários terapêuticos de usuários adoecidos por doenças crônicas não transmissíveis;
– Produção de um manifesto visual, em diferentes formatos (Objeto de Aprendizagem, Ebook, Vídeos), a partir das imagens geradas nas oficinas e atividades do projeto.

O projeto consiste, assim, em uma ferramenta pedagógica para melhor apreensão da alteridade, das diversidades culturais na construção das identidades e das territorialidades e se propõe ser uma atividade que integra ensino, pesquisa e extensão. Assim, o projeto nasce da pesquisa em torno do Objeto de Aprendizagem Imagens para pensar o Outro, construído como um dispositivo de descoberta de diferentes culturas e a serviço de uma melhor compreensão do Outro, e se integra à atividades de ensino do Bacharelado em Saúde Coletiva em parceria com o Bacharelado em Nutrição da UFRGS. Da mesma forma, integra atividades de TCC e de pesquisa científica, em seus 3 níveis (IC, mestrado e doutorado), por meio de produção de imagens. As atividades de extensão, integradas ao ensino e pesquisa, terão como produto um manifesto visual, em diferentes formatos (OA, Ebook, Vídeos, Mooc), a partir das imagens geradas nas oficinas e atividades do projeto.

ATIVIDADES

As atividades de extensão de produção de imagens serão desenvolvidas no ano de 2017 e 2018 articulando-se em torno do ensino e pesquisa.

Na articulação extensão-ensino-pesquisa de graduação, as atividades de produção de imagens se darão com os sujeitos em cenários de práticas da UPP Saúde, Sociedade, Humanidades I (quartas-feiras à noite – das 18h30 as 22h10), a partir de julho de 2017, e da disciplina de Saúde Coletiva II do Bacharelado de Nutrição (a ser implementada em 2017-2), e de Trabalhos de Conclusão de Curso e de Estágios curriculares dos dois cursos vigentes em 2017-2018.

Na articulação extensão-ensino-pesquisa de pós-graduação, as atividades integrarão a disciplina Antropologia e Imagem, a ser ofertada em 2017-2 no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural.

Na articulação extensão-pesquisa-ensino, as atividades serão realizadas no âmbito do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC), nas segundas-feiras, das 9h às 12h, em encontros quinzenais que se alternam entre planejamento das ações (estudos sobre os usos da imagem e metodologias participativas) e execução das ações (produção da imagem implicada com pesquisa, extensão e ensino). Comportarão atividades vinculadas a TCC, IC, mestrado e doutorado.

MANIFESTO VISUAL

O retorno à sociedade se dará pela produção de um manifesto visual em diferentes formatos: Exposições fotográficas, Objetos de Aprendizagem, Ebook, Mooc, TCCs, ICs, mestrados e doutorados.

PÚBLICO ALVO

Alunos das diferentes graduações e pós-graduações em Saúde e em Ciências Sociais e Humanas, Profissionais e Gestores em saúde.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, A. Imagem, Pesquisa e Antropologia. Cadernos de Arte e Antropologia, São Paulo, v.3, n.2, 2014.
CAMPOS, R. Imagem e tecnologias visuais em pesquisa social: tendências e desafios. Análise Social, 2011, n.199, p.237-259.
CATANHO, F.J.M. A edição fotográfica como construção de uma narrativa visual. Discursos fotográficos, Londrina, v.3, n.3, p.81-96, 2007.
COUTO, Mia. Repensar o pensamento: Conferencista do Fronteiras do Pensamento. 2012. Disponível em: <https://youtu.be/ahb9bEoNZaU&gt;. Acesso em: 15 maio 2017.
DA MAYA ESPAÇO CULTURAL. Caderno de Atividades. 2014. Disponível em: <https://pibidbageuergs.files.wordpress.com/2014/05/caderno-de-atividades-exposic3a7c3a3o-c3aaxodos-de-sebastic3a3o-salgado.pdf&gt;. Acesso em: 15 maio 2017.
GERHARDT, T. E. et al. Paisagens, pessoas e vidas rurais: imagens de um espaço de vida. Revista Iluminuras, Porto Alegre, v. 16, n. 40, p. 345-374, ago/dez, 2015.
GERHARDT, T.E., SANTOS, V.C.F., CARVALHO, D.P.C. Ampliando linguagens: itinerários terapêuticos em imagens. In: GERHARDT, T.E., PINHEIRO, R. SILVA JR. A.G., RUIZ, E.N.F. (Orgs.) Itinerários terapêuticos: integralidade no cuidado, avaliação e formação em saúde. Rio de Janeiro: CEPESC/IMS/UERJ-ABRASCO, 2016. pp.255-271.
GURAN M., Fotografar para descobrir, fotografar para contar. Cadernos de Antropologia e Imagem, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, 1997. pp.155-165.
GURAN, M. Documentação Fotográfica e Pesquisa Científica: Notas e Reflexões. Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, 2012. Disponível em:< http://www.labhoi.uff.br/node/1905&gt;. Acesso em: 03 fev. 2016.
KOHATSU, L. N. O uso do vídeo na pesquisa de tipo etnográfico: uma discussão sobre o método. Psicologia da Educação, São Paulo, 25, 2007, pp. 55-74.
LAPLANTINE, F. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003. 205p.
MARTINS, J. S. Sociologia da fotografia e da imagem. 2. ed., 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2013. 206p.
OLIVEIRA, R.C. O trabalho do Antropólogo. 2 ed. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: Editora UNESP, 2000.
RUIZ, E.N.F., SANTOS, V.C.F., GERHARDT, T.E. IMAGENS DE UMA RURALIDADE: elementos do substrato social de constituição de um cotidiano. Revista Iluminuras, Porto Alegre, v. 17, n. 41, p. 44-79, 2016.

ATIVIDADE DE EXTENSÃO – ENSINO – PESQUISA

Coordenação:
Profa. Dra. Tatiana Engel Gerhardt e
Profa. Dra. Eliziane Nicolodi Francescato Ruiz

Equipe
Damiana Paula Coelho Carvalho
Ricardo Lubisco
Vilma Constância Fioravante dos Santos
Diana Manrique Garcia
Bruno Tavares Rocha
Oscar Paniz
Luymara Pereira Bezerra de Almeida

Contato: gesc@ufrgs.br

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